THANKSGIVING DAY


Hoje é o dia de Ação de Graças. Dia em que as família americanas se reunem e celebram este dia.
Mas a mais de 1 semana que a gente sente este dia por aqui.
Ontem mesmo eu fui até uma loja dar uma olhada em um produto para ver se valia a pena comprá-lo na sexta-feira negra que acontece logo após o feriado e quando voltei para casa, as estradas estavam entupidas.

Era carro de tudo que é lugar, em um horário que normalmente está tudo tranquilo. Eu fiquei olhando as placas e vi pelo menos umas de 10 estados diferentes, ou seja, era o povo vindo para estar com suas famílias.

É neste feriado que os filhos que estão na faculdade voltam a casa dos pais, é uma verdadeira migração humana neste país. Aeroportos lotados, estradas lotadas, rodoviárias e estações de trem lotadas também.

E os mercados? Este ano eu tive a sensação que o mundo está acabando e que todo mundo resolveu ir ao mercado comprar coisas e fazer estoque. Os mercados aqui da minha área tem estacionamentos gigantescos e desde segunda-feira eles tem estado lotados.

É engraçado, nós que somos de uma cultura diferente, ver este movimento todo. Claro que de alguma forma nós comemoramos também, já que marido e filho estão em casa, o que já é uma festa, mas é diferente.

Para nós brasileiros o importante é mesmo o Natal. Mas é bem interessante ver este processo todo, que eu só comparo mesmo ao 25 de dezembro no Brasil.

Hoje aqui vai rolar um peruz assada, farofinha e um vinho, claro e amanha vai rolar uma comprinha básica - beeeeeeeeemmmmmmmmmm básica.

Então, já que o dia é de agradecer eu também vou:

Agradeço por ter amigos, família, filho e por todos estarem saudáveis.
Agradeço por ter acesso a internet e por poder ter blogs e conhecer tanta gente legal através deles.
Agradeço por todas as oportunidades que me estão sendo oferecidas.

FELIZ DIA DE AÇÃO DE GRAÇAS!

É HOJE

Sinto e não sinto

Do que você tem mais saudades?

Comida?
Cultura?
Amigos?
Clima?
Lingua?
Família?
Forma de Governo?

Do que você não tem saudades?

Desnível social?
Violência?
Respeito aos outros?
Leis pouco severas?
Comunidade pouco atuante?

Conta prá gente

Tipo de imigrante


Vivendo fora do meu país é que pude ter a dimensão dos tipos de imigrantes que existem. Antes era fácil saber que existiam os exilados políticos ou de guerra, ou aqueles que são transferidos por causa do trabalho (que é o meu caso). Mas só aqui conheci aqueles brasileiros que resolvem sair do seu país para buscar um diferencial para suas vidas.

Este diferencial pode ser dinheiro, lingua, sucesso, conhecer lugares diferentes ou até mesmo a fuga para alguma situação extrema. Só aqui pude conhecer estes imigrantes que muitas vezes vivem de forma ilegal, mas que produzem, pagam impostos, tem filhos, compram casas, carros, como qualquer cidadão americano, mas que não podem ter uma conta no banco, ou fazer um financiamento de forma correta.

Pelo que percebi são pessoas que não tem muito tempo disponível, afinal de contas elas trabalham nos empregos que os americanos normalmente não querem, ou os que pagem menos e até mesmo, muitas vezes, tem, mais de 1 emprego.

Eu tenho "tempo disponível", já que não trabalho fora e fica bem difícil ter contato com pessoas assim, porque seu tempo livre se restringe a um domingo. São imigrantes que tem uma visão limitada já que também não podem viajar de avião, não tem uma carteira de motorista válida (ou se tem é falsa ou roubada como casos que já presenciei) e que vivem com medo.

Uma vez eu estava em um mercado de produtos brasileiros quando dereprente entra um rapaz gritando que a imigração estava dando uma batida na rua. A cidade onde eu estava e que tem estes mercados é onde se concentra a maior população de brasileiros aqui em New Jesey, ela se chama Newark. Foi um corre corre, um monte de gente largando suas compras e saindo correndo, até mesmo um funcionário do açougue, ou seja, todos ilegais.

Depois que esta crise começou muitos destes imigrantes voltaram para o seus países de origem, sabendo que será muito difícil seu retorno para cá. Muitas lojas se fecharam, pequenas empresas de venda de passagens aéreas, o faturamento das lojas e restaurantes destas áreas caiu drasticamente, sem contar as casas que haviam sido compradas e os carros que foram literalmente abandonados.

Isto porque o trabalho desapareceu. Aqui mesmo na minha rua tem um casal americano/judeus (já são idosos) onde uma brasileira vinha fazer a faxina. Antes era uma vez por semana e agora eles passaram para 1 vez por mês e claro que isto deve ter acontecido com as outras casas que ela trabalhava. Se fizermos a conta de que ela perdeu 3 faxinas por mês para cada cliente, hoje ela só tem 1 quarto do trabalho que ela tinha antes. Impraticável.

É muito duro conhecer esta realidade, mas também ver casos de imigrantes que conseguiram ver nas dificuldades uma oportunidade, como foi o caso de uma costureira que teve que contratar ajudantes porque a quantidade de trabalho aumentou surpreendentemente, já que as pessoas pararam de comprar roupas novas e estava reformando as que já tinham.

E no país que você vive como é? aconteceu a mesma coisa? e você que tipo de imigrante é?

Que vergonha!


Vai me dizer que você nunca se sentiu envergonhado em alguma situação, vivendo em um país estrangeiro. E que em seu país você nunca passaria por isso porque lá você se sente seguro.

Pois é, comigo isto sempre acontece. Eu sei que é por causa da lingua. Sempre tento passar despercebida, mas eu sou uma mulher grande, então não tem jeito.

Tentei ser discreta na escola que meu filho começou a frequentar este ano - kindergarten, mas foi impossível, porque o pirralho é o menino mais famoso das três turmas da mesma classe, então toooooooooooooodo mundo vem falar comigo.

Eu fico com vergonha de pedir que as pessoas falem mais devagar para que eu possa entender, aliás tem dias que eu até pesso, mas normalmente elas não atendem ao meu pedido, rs.
Sinto que as outras mães querem se aproximar e puxar papo, mas eu me retraio. Tá bom, isto está diminuindo, mas é que me sinto como se estivesse começando no primeiro ano da escola, é tão estranho.

Claro que encontro muita gente paciente que adora saber que sou brasileira (devo salientar que não moro em um lugar que tenham brasileiros), ficam curiosos, perguntas muitas coisas, mas normalmente eu fico envergonhada.

Quer um exemplo? no dia das bruxas eu não saí com meu filho para pegar doces. Simplesmente não consegui me imaginar fazendo isso. Tá bom, muitos irão dizer que os pais não precisam ir até a porta da casa das pessoas, normalmente ficam de longe olhando, mas mesmo assim não deu.

Claro que uma boa terapia ajuda, rs, dominar a lingua também, porque se tem uma coisa que não sou é tímida, mas aqui nos Estados Unidos isso tem sido uma constante.

E com você isso já aconteceu ou ainda acontece?

Conta para a gente.

BLOG DO DIA - Retratos e Relatos - Alemanha

Quem de nós, imigrantes, em algum momento não se sentiu um ET na terra dos outros, ou por causa da cultura, ou principalmente por causa do idioma. Alguns tiveram facilidade em aprender, outros (como eu) mais dificuldade, mas que nunca desistiram. Quem nunca se sentiu deslocado? Lendo o post feio pela Maira que está morando e corajosamente fazendo um curso de MBA lá, entendi perfeitamente o que ela passou em um específico dia de sua vida. Quer saber como foi, leia aqui embaixo, já que gentilmente ela me cedeu a honra de publicar o seu post aqui, neste "humirde" blog, rs.

Agora sao 14:15 horas da tarde aqui na Alemanha e eu deveria ainda estar na Uni, mas, adivinhem, nao estou. Fui, aguentei a aula de Direito até onde pude e, após passar do meu limite, decidi vir embora sem peso na consciência, mas com uma dor intensa no coracao.

Por quê? Porque todos os dias tento suportar o fato de nao entender 100% do que é dito nas aulas do meu MBA. Sim, até agora consegui passar em todas matérias e isso, se depender da minha forca de vontade nata, nao vai mudar. Mas tem dias (como hoje) que eu lembro que sou humana e nao a mulher maravilha. Chega um momento após 5 horas ouvindo algo que você simplesmente nao compreende, que você simplesmente desiste. Sao horas sentada ali com cara de quem tá com diarréia; vendo todo mundo rir de algo que você nao faz a menor idéia do que é; vendo todo mundo procurando alguma informacao no material didático e que você também nao faz a menor idéia o que é que eles tanto procuram; vendo que no trabalho em grupo sua colega do lado simplesmente vira às costas para você (detalhe, você está no grupo dela), pois sabe que você precisa de no mínimo mais 15 minutos pra conseguir entender as palavras mais básicas pra ela, ou seja, com certeza você nao vai saber a resposta que o grupo precisa dar; sao horas onde você se pergunta a cada minuto: “O que é que eu ainda estou fazendo sentada aqui?”. Pois bem, hoje depois de 5 horas vivendo isso pela enésima vez, decidi espontaneamente levantar e ir embora. Segunda-feira vou passar pela mesma coisa, mas pelo menos vou ter 3 dias pra traduzir todas palavras que preciso traduzir para, pelo menos, entender porque estarei sentada lá de novo.

E quando esse sentimento fica como hoje à flor da pele (sim, porque existir ele existe todos os dias desde que comecei esse MBA), sinto falta dela: da língua portuguesa. Sinto falta de ouvir, de ler e de escrever em português mais intensamente. Sinto falta da musicalidade. Sinto falta de me expressar na minha língua materna. Sinto falta de ler e só ter que entender o conteúdo, nao os significados. Sinto falta até mesmo das minhas aulas de português com a Profa. Nancy e depois com a Profa. Marleide. Ai que saudades! Meu Deus que saudades de ser compreendida e compreender tudo todos os dias! (pelo menos no que diz respeito à língua…rs)

Sendo assim, como nao podia deixar de ser, decidi saber o que dizem os poetas sobre nossa língua portuguesa. Acreditem, quando li a análise do poema abaixo “Língua Portuguesa” de Olavo Bilac, chorei e, dá um desconto, ainda estou chorando (se tivesse lido só o poema, sem a análise, teria chorado por nao entender nem mesmo português…rs). Mas me pergunto: “Será que se eu nao estivesse vivendo esse “conflito” linguístico, eu choraria lendo um poema que fala sobre a língua portuguesa?”. Acho que nao. Por isso, mais uma vez, agradeco à Deus por me por em mais uma situacao transformadora e enriquecedora, mesmo que extremamente difícil e desgastante. Viver é ajustar nossas lentes constantemente, buscando sempre novos pontos de vista.

Nossa língua portuguesa é MARAVILHOSA. Acreditem! E nao é só porque eu sou brasileira nao, muitas pessoas de outras nacionalidades que me ouviram falando português, disseram que é delicioso ouvir a gente falando português. Ou seja, falem bem ou mal dos “invasores” portugueses, mas ninguém pode negar que esse legado foi um presente. Um presente que nós, brasileiros, otimizamos e embelezamos. (((-:

Saudades de você minha querida e insubstituível “Língua Portuguesa”!!!! )))-:

“LÍNGUA PORTUGUESA” Olavo Bilac (1865 – 1918)

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amote assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Análise do poema por Paula Perin dos Santos:

“No poema Língua Portuguesa, o autor parnasiano Olavo Bilac faz uma abordagem sobre o histórico da língua portuguesa, tema já tratado por Camões. Este poema inspirou outras abordagens, como o poema “Língua”, de Gilberto Mendonça e “Língua Portuguesa”, de Caetano Veloso.

Esta história é contada em catorze versos, distribuídos em dois quartetos e dois tercetos – um soneto – seguindo as normas clássicas da pontuação e da rima.

Partindo para uma análise semântica do texto literário, observa-se que o poeta, com a metáfora “Última flor do Lácio, inculta e bela”, refere-se ao fato de que a língua portuguesa ter sido a última língua neolatina formada a partir do latim vulgar – falado pelos soldados da região italiana do Lácio.

No segundo verso, há um paradoxo: “És a um tempo, esplendor e sepultura”. “Esplendor”, porque uma nova língua estava ascendendo, dando continuidade ao latim. “Sepultura” porque, a partir do momento em que a língua portuguesa vai sendo usada e se expandindo, o latim vai caindo em desuso, “morrendo”.

No terceiro e quarto verso, “Ouro nativo, que na ganga impura / A bruta mina entre os cascalhos vela”, o poeta exalta a língua que ainda não foi lapidada pela fala, em comparação às outras também formadas a partir do latim.

O poeta enfatiza a beleza da língua em suas diversas expressões: oratórias, canções de ninar, emoções, orações e louvores: “Amo-te assim, desconhecida e obscura,/ Tuba de alto clangor, lira singela”. Ao fazer uso da expressão “O teu aroma/ de virgens cegas e oceano largo”, o autor aponta a relação subjetiva entre o idioma novo, recém-criado, e o “cheiro agradável das virgens selvas”, caracterizando as florestas brasileiras ainda não exploradas pelo homem branco. Ele manifesta a maneira pela qual a língua foi trazida ao Brasil – através do oceano, numa longa viagem de caravela – quando encerra o segundo verso do terceto.

Ainda expressando o seu amor pelo idioma, agora através de um vocativo, “Amo-te, ó rude e doloroso idioma”, Olavo Bilac alude ao fato de que o idioma ainda precisava ser moldado e, impor essa língua a outros povos não era um tarefa fácil, pois implicou em destruir a cultura de outros povos.

No último terceto, para finalizar, quando o autor diz: “Em que da voz materna ouvi: “meu filho!/ E em que Camões chorou, no exílio amargo/ O gênio sem ventura e o amor sem brilho”, ele utiliza uma expressão fora da norma (“meu filho”) e refere-se a Camões, quem consolidou a língua portuguesa no seu célebre livro “Os Lusíadas”, uma epopéia que conta os feitos grandiosos dos portugueses durante as “grandes navegações”, produzida quando esteve exilado, aos 17 anos, nas colônias portuguesas da África e da Ásia. Desce exílio, nasceu “Os Lusíadas”, uma das oitavas epopéias do mundo.

Fonte: http://www.infoescola.com/literatura/analise-do-poema-lingua-portuguesa/

E você? já se sentiu assim também, conta para gente.

Visitas de professores fazem com que alunos e pais sintam-se em casa (Boston - EUA)

Por James Vaznis

A menina já estava de pijama quando os seus professores do jardim de infância chegaram em uma noite límpida, neste mês, trazendo presentes: um livro de colorir, um quadro para escrever e uma sacola cheia de ímãs revestidos de plástico com formato de letras do alfabeto.

Mas Megan Coyne, de três anos de idade, não sentiu-se tentada pelos presentes. Tomada de uma timidez súbita, ainda que passasse seis horas por dia com as professoras, a garota ficou no vestíbulo, atrás da mãe, com os braços apertados em torno das pernas desta. "O seu pijama está cheio de desenhos de sapos", disse com um sorriso tranquilizador a sua professora, Pam Richardson, da Escola Piloto da Academia Lee, no bairro de Dorchester, em Boston. "Megan não comeu muito no almoço. Ela estava com fome quando veio para casa?".

Richardson faz parte do grupo de dezenas de professores da escola primária e secundária de Boston e Springfield que estão visitando as famílias dos alunos neste ano, com o objetivo de encorajar a participação voluntária dos pais nas reuniões da escola e o envolvimento com a educação das crianças em casa, bem como de acabar com qualquer concepção errônea que pais e professores possam ter uns em relação aos outros.

A prefeitura de Boston, que está trabalhando em parceria com a Universidade Harvard, deu início ao seu programa dois anos atrás e o expandiu para cinco escolas de ensino fundamental. A iniciativa surgiu após o exemplo de Springfield, que há cerca de cinco anos criou - como parceria entre o sindicato municipal dos professores, uma escola de segundo grau e o Projeto Vale Pioneiro - um grupo de organização de comunidades que trabalha em contato próximo com os pais.

O programa encontra-se atualmente ativo em sete escolas, incluindo uma de segundo grau. O alcance do programa - que neste ano chegou a várias centenas de famílias - faz parte de uma estratégia nessas duas cidades para reverter uma tendência de redução da participação dos pais.

Em ambos os distritos, os pais raramente aparecem nas reuniões da organização de pais e alunos, conferências de professores e outras atividades em várias escolas. Em alguns casos, eles estão ocupados demais, trabalhando em vários empregos, não têm transporte para ir até à escola ou sentem-se intimidados para falar com os professores devido à baixa instrução ou a uma experiência ruim pela qual passaram quando eram alunos.

Em Boston, muitos pais que cresceram durante o período tumultuado do "forced busing" (política que obrigava crianças de um determinado bairro a matricularem-se em escolas de outra região para que se atingisse um "equilíbrio racial" nessas instituições) mantêm-se distantes das escolas por terem ressentimento, ou até mesmo desconfiança, em relação ao sistema.

As visitas são também elaboradas de forma a esclarecer os professores - muitos dos quais moram fora das cidades e podem ter falsas impressões sobre os bairros nos quais os alunos moram -, possibilitando que observem os estilos de vida que as crianças têm em suas casas.

Os professores de Boston recebem US$ 60 (R$ 104) por visita, e os de Springfield aproximadamente US$ 30 (R$ 52). "Essas visitas eliminam o ciclo de desconfiança que ocorre entre os educadores e as famílias", afirma Linnette Camacho, coordenadora de educação familiar das escolas de Springfield. Embora nenhuma das duas cidades tenha realizado um estudo formal sobre a eficácia do programa, os organizadores afirmam que professores e diretores observaram que houve um aumento da participação dos pais nas escolas e que as notas dos alunos também têm aumentado.

As autoridades escolares de Springfield sentem-se tão encorajadas que estão criando uma proposta de expansão do programa para outras escolas municipais. Algo que ajudou essa iniciativa foi a criação da Associação Nacional de Educação, o poderoso grupo sindical de professores de âmbito nacional, que forneceu ao distrito uma verba para planejamento de US$ 50 mil (R$ 86 mil) - o primeiro passo para o fornecimento de US$ 1,25 milhão (R$ 2,2 milhões) para a expansão do projeto.

"Os professores percebem que o envolvimento dos pais é fundamental para melhorar o desempenho dos alunos", diz Tim Collins, presidente da Associação Educacional de Springfield. "Creio que há muitos dados que demonstram que quando os pais estão engajados, os alunos têm mais sucesso na escola". Boston e Springfield basearam seus programas em um outro que teve início há mais de uma década em Sacramento, e que elevou os índices de presença e as notas dos alunos, reduzindo, ao mesmo tempo, as suspensões e os casos de vandalismo escolar.

Em Boston, o programa faz parte de uma iniciativa mais ampla chamada Three-to-Third, uma colaboração entre a prefeitura, o Departamento Escolar e a Escola de Pós-Graduação em Educação da Universidade Harvard para conseguir fazer com que todos os alunos estejam lendo e compreendendo textos até o final da terceira série. A Universidade Harvard está oferecendo treinamento para as visitas domiciliares e organizou grupos e pesquisas sobre o programa.

A universidade está prestes a dar início a um estudo mais amplo dos resultados do programa. Geralmente os professores introduzem a ideia de uma visita enviando aos pais uma carta que dá a estes uma mensagem de boas-vindas à escola. Alguns telefonam para os pais, em vez de enviar-lhes uma carta. Mas eles não batem à porta de nenhuma família sem avisar.

A família Coynes foi pega meio de surpresa ao receber um convite antes do início do ano escolar feito pela futura professora da sua outra filha, Mackenzie, que é gêmea de Megan. "No início eu fiquei meio cético", diz David Coyne, que atendeu o telefonema. "Parecia que se tratava de algo do tipo 'Grande Irmão' - o governo - investigando para ver se éramos bons pais".

Mas segundo ele a visita correu bem. A professora jamais se comportou como inspetora de bem-estar infantil. Ela não caminhou pela casa com um caderno na mão, rabiscando observações durante o percurso. Na verdade os professores são instruídos a deixarem cadernos de anotações no carro.

Em vez disso, professores e pais simplesmente conversam, e frequentemente pergunta-se aos pais que esperanças e sonhos eles têm em relação aos filhos. Assim, quando Richardson chegou algumas semanas mais tarde com a sua assistente, Misheka Barrosy, os Coyne sentiram-se como profissionais. Eles encomendaram pizzas e todos sentaram-se à mesa da cozinha, conversando sobre como estava sendo o ano escolar.

Os Coyne tiveram um começo meio conturbado na escola. Inicialmente, apenas a matrícula da filha Mackenzie foi aceita, o que obrigou Megan a retornar a um jardim de infância particular que os pais acreditavam que contava com um programa de qualidade inferior. Foi difícil para Kellyann Coyne ver as gêmeas separadas com tão pouca idade durante as primeiras semanas de escola. E Megan continuou vindo da escola particular para casa com os mesmos projetos de casa que as gêmeas haviam feito um ano antes.

Os Coyne ficaram tão frustrados que chamaram relutantemente um corretor de imóveis para visitar a casa no mês passado, já que estavam pensando em mudarem-se para os subúrbios da cidade. No entanto, uma hora depois, a Academia Lee telefonou avisando que havia uma vaga na turma de Richardson.

O número de Megan finalmente fora contemplado na lista de espera, nove meses após ela ter sido inscrita. "Boston conta com o melhor programa educacional para crianças pequenas", explica Kellyann Coyne, tendo à sua frente, do outro lado da mesa, as duas professoras. "Eu sabia que as garotas apresentariam bastante desenvolvimento nessa escola... Estou entusiasmada com o progresso delas".

Após conversarem durante mais de uma hora à mesa, os Coyne mostraram a casa de dois andares às professoras. Aproximadamente às 20h45, cerca de duas horas e 15 minutos após terem chegado - as professoras decidiram ir embora. A mãe caminhou até a frente da casa com elas, e o papo continuou.

Tradução: UOL

Edição: Prof. Christian Messias | Fonte: The Boston Globe, 23/10/2009