Tipo de imigrante


Vivendo fora do meu país é que pude ter a dimensão dos tipos de imigrantes que existem. Antes era fácil saber que existiam os exilados políticos ou de guerra, ou aqueles que são transferidos por causa do trabalho (que é o meu caso). Mas só aqui conheci aqueles brasileiros que resolvem sair do seu país para buscar um diferencial para suas vidas.

Este diferencial pode ser dinheiro, lingua, sucesso, conhecer lugares diferentes ou até mesmo a fuga para alguma situação extrema. Só aqui pude conhecer estes imigrantes que muitas vezes vivem de forma ilegal, mas que produzem, pagam impostos, tem filhos, compram casas, carros, como qualquer cidadão americano, mas que não podem ter uma conta no banco, ou fazer um financiamento de forma correta.

Pelo que percebi são pessoas que não tem muito tempo disponível, afinal de contas elas trabalham nos empregos que os americanos normalmente não querem, ou os que pagem menos e até mesmo, muitas vezes, tem, mais de 1 emprego.

Eu tenho "tempo disponível", já que não trabalho fora e fica bem difícil ter contato com pessoas assim, porque seu tempo livre se restringe a um domingo. São imigrantes que tem uma visão limitada já que também não podem viajar de avião, não tem uma carteira de motorista válida (ou se tem é falsa ou roubada como casos que já presenciei) e que vivem com medo.

Uma vez eu estava em um mercado de produtos brasileiros quando dereprente entra um rapaz gritando que a imigração estava dando uma batida na rua. A cidade onde eu estava e que tem estes mercados é onde se concentra a maior população de brasileiros aqui em New Jesey, ela se chama Newark. Foi um corre corre, um monte de gente largando suas compras e saindo correndo, até mesmo um funcionário do açougue, ou seja, todos ilegais.

Depois que esta crise começou muitos destes imigrantes voltaram para o seus países de origem, sabendo que será muito difícil seu retorno para cá. Muitas lojas se fecharam, pequenas empresas de venda de passagens aéreas, o faturamento das lojas e restaurantes destas áreas caiu drasticamente, sem contar as casas que haviam sido compradas e os carros que foram literalmente abandonados.

Isto porque o trabalho desapareceu. Aqui mesmo na minha rua tem um casal americano/judeus (já são idosos) onde uma brasileira vinha fazer a faxina. Antes era uma vez por semana e agora eles passaram para 1 vez por mês e claro que isto deve ter acontecido com as outras casas que ela trabalhava. Se fizermos a conta de que ela perdeu 3 faxinas por mês para cada cliente, hoje ela só tem 1 quarto do trabalho que ela tinha antes. Impraticável.

É muito duro conhecer esta realidade, mas também ver casos de imigrantes que conseguiram ver nas dificuldades uma oportunidade, como foi o caso de uma costureira que teve que contratar ajudantes porque a quantidade de trabalho aumentou surpreendentemente, já que as pessoas pararam de comprar roupas novas e estava reformando as que já tinham.

E no país que você vive como é? aconteceu a mesma coisa? e você que tipo de imigrante é?

12 BRASILEIROS:

Andrea disse...

Oi Cristiane,
Eu vejo que aqui na Espanha tem imigrante de todo o tipo, mas acho que por aqui a coisa é mais tranquila, ainda mais no meu caso que vivo em uma cidade pequena (200mil habitantes).
Nunca vi uma "batida" dessas, mas já soube de casos que policiais a paisana pediam documentos para supostos imigrantes ilegais pela rua. Tenho uma amiga que vive aqui, que é negra, e já foi abordada pelo menos umas 3 vezes( mesmo sempre tendo estado legal).
No meu caso sou um tipo de imigrante muito comum ultimamente, a que larga tudo por amor, rssssss... conheci meu marido no Brasil, ele me pediu em casamento, eu larguei tudo e cá estou! Completo 5 anos de casamento em maio do ano que vem, tenho um filho de 2 anos e espero outro para o começo de dezembro.
Beijocas

Camila Hareide disse...

Oi, Cris!

Eu, como a amiga aí de cima, sou a imigrante que largou tudo por amor! Mas aqui na Noruega, se você é ilegal, está perdido... Nenhum empregador dá trabalho sem visto. Sem trabalho, viver no país com o custo de vida mais alto do mundo é impossível. Além disso, a maneira com está organizado o sistema social transforma o ilegal num fantasma. Todo residente precisa ter um documento chamado Personnalnumer, que é um RG, mas é mais como o Social Security dos EUA. Pra ter direito à médico,escola, abrir conta em banco, arrumar emprego, tudo, precisa ter o número. E sem visto, não há como conseguí-lo.

O que em geral acontece com os ilegais é que eles acabam mendigando. Agora, imagina nesse frio daqui??? Claro que sempre tem um jeitinho, e é comum nas cidades grandes um monte de gente (maioria vinda do Leste Europeu) pedindo esmola. Mas como no Brasil, há uma máfia organizada que lucra horrores com isso...

Eu esperei 3 meses e meio pelo meu visto de noivado, agora que casamos já tenho o visto de residência e trabalho. E a cada ano é preciso renová-lo até que complete o prazo pra poder tirar o passaporte norueguês. Mas isso ainda tá loooonge pra mim!

Legal o assunto! Espero ter contribuído... Beijo!

Ann Moeller disse...

Aqui em Londres hoje em dia tambem esta bastante complicado para os imigrantes ilegais. Batidas como a que voce comentou parece que tambem sao constantes por aqui e o sistema esta se fechando cada vez mais. A minha faxineira me disse que agora nem matricula em escola de ingles e possivel fazer sem visto no passaporte, restringindo ainda mais esta parte da sociedade (que sabemos ser enorme).
Eu sou filha de portugueses e moro fora ha 20 anos, desde a adolescencia (fiz faculdade em Lisboa) e depois de ja ter passado pela Alemanha brevemente estou em Londres ha quase 14 anos. Na semana que vem vai ter entrevista minha la no blog Entrevistando Expats, para os que quiserem saber um pouquinho mais sobre a minha ilustre pessoa,kkkk
xxx
Cristiane, obrigada pelo link, ja tenho o teu no meu blog tambem...

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Cristiane, que legal esse seu blog. Você teve uma ótima idéia. Nunca ví um blog nesse estilo e com muita organização. Dá uma cultura geral prática para todos nós, seus leitores. Adorei e nem vou seguí-lo. Vou perseguí-lo. Já sou perseguidor do Tô Doida, hehehe! Beijos com carinho prá vocês aí. Manoel - Taubaté - SP.

Cristiane A. Fetter disse...

Andrea, que bom que as coisas são mais calmas ai, mas você disse que mora em uma cidade pequena? rs, a que eu mora tem 5.700 habitantes.
bjks

Cristiane A. Fetter disse...

Camilla que coisa impressionante o que você comentou, aqui os imigrantes apesar de tudo tem direito a saúde, escola e outras coisas.
Agora fala sério, mudar de país por amor faz tudo ficar mais fácil não? rs.
Você ajudou muito, aumentou em 100 o meu conhecimento sobre a Noruega.
Brigaduuuuuuuuuuu!
bjks

Cristiane A. Fetter disse...

Ann, eu vou ser muito sincera, acho que todo governo tem que ter uma forma de controle sobre os imigrante, se não vira bagunça, sem contar que a entrada descontrolada de imigrantes em um país que não tem como recebe-los pode causar um descontrole social enorme.
Obrigada pelo comentário.
bjks

Cristiane A. Fetter disse...

Manoel, você é um fofo sabia?
Pode perseguir a vontade viu?
bjks

Andrea disse...

Hahahaha, 200 mil perto de 5mil e tantos é um mundo, rsssssssssss
Creio que digo pequena porque tenho como referência Sao Paulo. Vamos combinar que perto da grande Sao Paulo que tem 20 milhoes de habitantes, 200 mil, ou seja 1%, nao é nada!
É um "pueblo" espanhol, rsss
bjs

Márcia disse...

Oi Cristiane, conheci seu blog através do "Entre Mae e Filha" da Nina, e achei muito interessantes suas ponderações sobre os diferentes tipos de imigração. Acho que em breve eu serei um tipo de imigrante misto: exploradora social, ambiental e universitária.
Rgds,
Márcia

Cristiane A. Fetter disse...

Andrea, eu sei disso, mas é engraçado não a gente achar que 200 mil é grande perto de Rio, Sampa, POA ou Belô?, rs.
bjks

Cristiane A. Fetter disse...

Marcia, que bom que você gostou, volte sempre viu?
bjks